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O Meu é Teu representa 10 anos de vivências e aprendizagens no seio musical.
Um disco onde interpreta fados e canções tradicionais portuguesa, procurando novas texturas e sonoridades.
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1. Prelúdio da alvorada
2. Soar da Alvorada
3. Oferece o teu amor
4. O meu é teu
5. Fado Salgado
6. O Manjerico
7. Estranha forma de vida
8. Cantando a Serra D’Arga
9. Lisboa chora por mim
10. Saudades da Júlia Mendes
11. Ó malandro, não te vás
12. Vou p’la noite navegando
13. Rita Yé Yé
14. Vagamundo
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POEMAS
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1. Prelúdio da Alvorada


2. Soar da Alvorada (Fado Rosita)

António Rodrigues/ Joaquim Campos

Soube hoje que se vai
Ao soar da alvorada.
Não me diz nem ui nem ai,
E, se sai, é p’la calada.

Quando voltará, não sei,
Se voltar, vem de fininho.
Nesse dia, cá estarei,
Onde termina o caminho.

Traz-me no olhar cansado
Uma estranha amargura.
“Longe de ti, não há fado”,
Diz enquanto me segura.

Não me engana, viageiro,
Essa lábia vagabunda.
Mas o tiro é certeiro
Onde a saudade é profunda.

Não te cales, meu amor.
Conta-me tudo, meu bem.
Temos tempo, meu amor,
É tudo o que a gente tem.
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3. Oferece o teu amor

Júlio de Sousa

Oferece o teu amor
A quem te possa amar
A minha boca é fria não tem alegria
Nem mesmo a cantar
Na cruz da minha vida
Não quero sofrer
Não quero ser vencida
nem mulher perdida
Por tanto te querer.

Não queiras no peito essa flor
sem perfume e sem cor
Que não sabe enfeitar
Não queiras a esmola
do amor de quem não sabe dar
Amantes não quero, não quero
Só este me pode agradar
É belo e castiço o meu fado,
amante sem par.

É ele quem me beija
É ele quem me abraça
Nas noites de luar
Se fico a pensar na vida que passa
E passa a vida inteira
Saudade e amargor
Ao longe uma toada
canta a madrugada
És tu meu amor..

 

4. O meu é teu

Ary dos Santos/ Alain Oulman
O meu é teu. O teu é meu
E o nosso, nosso quando posso
Dizer que um dente nos cresceu
Roendo o mal até ao osso.
O teu é nosso.
O nosso é teu.
O nosso é meu. O meu é nosso,
E tudo o mais que aconteceu
É uma amêndoa sem caroço.

Dizem que sou. Dizem que faço,
Que tenho braços e pescoço
– Que é da cabeça que desfaço,
Que é dos poemas que eu não ouço?
O meu é teu.
O teu é meu,
E o nosso, nosso quando posso
Olhar de frente para o céu
E sem o ver galgar o fosso.

Mas tu és tu e eu sou eu
Não vejo o fundo ao nosso poço,
O meu é meu dá-me o que é teu
Depois veremos o que é nosso.

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5. Fado Salgado

Rita Gentil/ André M. Santos
Quando vi teu barco partir
Afastar-se aos poucos do cais
Desejei poder também ir
E não soluçar tantos ais

Lágrimas rolaram na face
Sabiam, meu amor, a sal
Ironia do nosso enlace
O mar tem sabor igual

É salgado, porém amargo
Naquele momento de dor
Sempre que a tua mão eu largo
Dizendo não vás, meu amor

Fosse um dia meu coração
Âncora firme, amarra forte
Nos meus braços a solução
Para não depender da sorte

Tu lanças as redes no mar
Enquanto eu espero em terra
O que respiramos é ar
Vindo do mar, não da serra

Volta meu amor
Nas ondas da minha saudade …

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6. O Manjerico (Fado Macau)

Linhares Barbosa/ Adriano S. Roíz.
O meu bem anda zangado
Já não vai ao bailarico
Mandei-lhe um beijo embrulhado
Na folha dum manjerico

Ou por troça ou por pirraça
O que já acho engraçado
Sempre que há festa na praça
O meu bem anda zangado

Vou para as marchas da rua
Em casa também não fico
Sei que quando ele se amua
Já não vai ao bailarico

Já tenho um cravo, um balão
Um grande cravo encarnado
Ou pelo sim, pelo não
Mandei-lhe um beijo embrulhado

Podendo a noite chuvosa
Manchá-lo com algum salpico
Embrulhei-o, carinhosa
Na folha dum manjerico

.7. Estranha forma de vida (Fado Bailado)

Alfredo Rodrigo Duarte e Amália Rodrigues/ Alfredo Marceneiro.
Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda minha a saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vivo de vida perdida
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente,
Teimosamente sangrando,
Coração independente.

Eu não te acompanho mais
Pára, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
Porque teimas em correr,
Eu não te acompanho mais.

Se não sabes onde vais,
Pára, deixa de bater,
Que eu não te acompanho mais.

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8. Cantando a Serra D’Arga

Popular.
Ao sair de Dem
perdi um dedal
Com letras que dizem
Viva Portugal
Viva Portugal
Viva Portugal
Ao sair de Dem
Perdi um dedal

Ó minha Rosinha
Eu hei-de te amar
De dia ao sol
de noite ao luar
De noite ao luar
De noite ao luar
Ó minha Rosinha
Eu hei-de te amar

Se tu queres que eu cante a gota
Dai-me uma pinga de vinho
O vinho é coisa boa
Faz o cantar delgadinho

Se tu queres que eu cante a gota
Ai, dai-me vinho ou dinheiro
Que esta minha gargantinha
Não é forja de ferreiro
Não é forja de ferreiro
Ó-ai-ó-la-ri-ló-lé-la!

Ó meu senhor São João
dai-me àgua da vossa fonte
que eu venho tão cansadinha
de subir o vosso monte
de subir o vosso monte
Ó-ai-ó-la-ri-ló-lé-la!

Eu hei-d’ir à Romaria
Ao senhor São João d’Arga
Eu hei-d’ir à Romaria
Ao senhor São João d’Arga
A Romaria é boa
Mas o caminho amarga
Mas o caminho amarga
Ó-ai-ó-la-ri-ló-lé-la!

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9. Lisboa chora por mim

António Rodrigues/ Samuel Quedas
Quando o sol corar
sobre o céu da madrugada,
Quando a lua empalidecer
em tons de marfim,
Aí vou eu, lançar-me de vez
naquela estrada,
Aí vou eu, sozinha, menina,
senhora de mim.

Para trás, deixo campo,
saudade, e neles memória
De um tempo;
jamais se perderam tempos assim.

Venha lá, senhor tempo futuro,
e traga-me a glória
De quem se aventura e perdura
sem medo nem fim.

Aceno de longe
que longe me espera Lisboa,
E as lágrimas secam na brisa
de toque cetim.
Lá vou eu, caminhando, pé ante pé, que esta vida se faz assim.
Ai Lisboa, espera por mim!

Ó Lisboa,
cidade de luz na noite cerrada,
Foste mãe, conselheira,
e fonte de amor e motim.
Recordas o dia
em que vim por aquela estrada,
Sonhando, sozinha, menina,
senhora de mim?

Ó saudade, que agitas o peito
e nele a memória
De outro tempo;
jamais se perderam tempos assim.
E agora, deixada ao relento
na minha história,
Encontro a menina
e o campo de onde provim.

Aceno de longe
e de longe acenam de volta,
E as lágrimas secam na brisa
de toque cetim.

(E) Lá vou eu, caminhando,
pé ante pé, que esta vida se faz assim.
Ai Lisboa, chora por mim!

Ó tempo, que roubas momento
e deixas memória
Por lágrimas secas
na brisa da estrada sem fim
Lá vou eu, caminhando, pé ante pé, que esta vida se faz assim.
Ai, Lisboa chora por mim!

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10. Saudades da Júlia Mendes

João Nobre e César de Oliveira/ Rogério Bracinha e Paulo Fonseca.
Ó Júlia, trocas a noite p’lo fado
O fado, esse malandro vadio
Ó Júlia, olha que é tarde,
toma cuidado
Leva o teu xaile traçado
porque de noite faz frio.

Ó Júlia, andas com a noite na alma
Tem calma, ainda te perdes p’ra aí
Ó Júlia, se estás de novo vencida
Não queiras gostar da vida
que ela não gosta de ti.

Não fales coração,
tu és um tonto sem razão,

Viver só por se querer
não leva a nada
Aceita a decisão
que os fados trazem ao nascer
Todos nós temos de viver
de hora marcada

Se Deus me deu a voz,
que hei-de eu fazer senão cantar
O fado e eu a sós queremos chorar
Eu fujo não sei bem porquê
Do mundo ou de ninguém
Talvez de mim,
quando oiço alguém dizer-me assim:

Ó Júlia, trocas a noite p’lo fado
O fado, esse malandro e vadio
Ó Júlia, olha que é tarde,
toma cuidado
Leva o teu xaile traçado
porque de noite faz frio.

Ó Júlia, andas com a noite na alma
Tem calma, ainda te perdes p’ra aí
Ó Júlia, se estás de novo vencida
Não queiras gostar da vida que ela não gosta de ti.

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11. Ó malandro, não te vás (Fado Pinóia)

António Rodrigues/ Casimiro Ramos.
Ó malandro, não te vás
Fica aqui, de mim pertinho
Que eu, sem ti, não tenho paz
E eu, contigo, não definho.

Ó malandro, és-me tudo.
Dás-me dor e alegria.
És a força com que luto
Por te ter por mais um dia.

Ó malandro, que conheces
Meu segredo mais profundo,
Ouve e guarda as minhas preces
P’ra quando deixar o mundo.

Ó malandro, és só meu
Até alguém te roubar.
Então, não dirás adeus,
Serei eu que te vou dar.

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12. Vou p’la noite navegando (Fado menor do Porto)

António Rodrigues/ João Black.
E das minhas mãos perdi
O rasto do meu passado.
Ainda há pouco tempo o vi
Na minha pele enrugado.

Andava por lá escondido
Nas pregas do fim de vida,
Tão velhinho e encolhido
Como quem pede guarida.

Rogo a quem o encontre
Que o trate com carinho,
E lhe mostre o horizonte,
E lhe dê novo caminho.

Chegou a hora de me ir
(Que) o meu passado foi andando.
Não vou triste ou a sorrir,
Vou p’la noite navegando.

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13. Rita Yé Yé .

Alberto Janes/ Alberto Janes
A Rita do Zé
Mora ali ao pé
Numa aldeia que é
Perto de Caneças
E quer ser yé yé
Mas o Pai, O Zé
Que não é e que é
P’ra partir cabeças.

Diz p’ra Rita
“Pensas que és bonita
Mas corto-te a guita
E corto-ta já
Vai para casa vai lavar a loiça
E ai de ti que eu oiça
Mais “lá-lá-lá”.

E a Rita vai
Tem medo do pai
Só quando ele sai
Como ele não vê
Despreza o conselho
Que o conselho é velho
E em frente do espelho
Ensaia o yé yé yé.

Quem terá razão
Nesta confusão
Que há na união
Do Zé e da Rita
E a ideia de tal moda
Faz andar à roda
O gemido tão preciso
Lá na aldeia toda.

E pobre Rita
Que é pobre e bonita
E que ouviu na fita
Música de agora
Tem de calar a sua vocação
Não canta a canção
Que ela quer e chora.

Nessa altura o Zé
Quando assim a vê
Não sabe porquê
Nem o que fazer
Pensa para si:
“anda cá tu aqui,
que eu já percebi coisas de mulher”.

Cá fica a lição
P’ra quem a aceitar
Deixem a canção
A quem a cantar.

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14. Vagamundo

Luís Macedo/ Alain Oulman.
Já disse adeus a tanta terra,
a tanta gente!
Nunca senti meu coração
tão magoado,
Inquieto por saber
que o tempo vai passar
E tu vais esquecer o nosso fado!

Partida cada vez mais sombria!
Cansada!
São nuvens negras em céu azul,
São ondas de naufrágio
em mar fundo!
No meu deserto não vejo abrigo
Sem ter o amor neste mundo!

Mas se eu voltar, e como penso, esqueceste!
Troco por outro
o coração amargurado!
Tentarei não fazer
mais castelos no ar
E nunca mais viver
um outro fado!